Carta ao Pai

Pai cansei de brigar com você.
Eu desisto de você!
Qual é o problema da sua e da minha existência?
Onde você está?
Para onde estou indo?
Por isso desisto de você!
Por não responder
Não comparecer.
Foi esse meu egoísmo, que me afastou de você
Foi esse meu Hedonismo.
Apenas tenho a dor de não sentir
Olhos fatigados de tentar enxergar.
Qual o sentido dessa efêmera dádiva?
Esse lamento que derramo em palavras
É a procura por redenção.
A vontade se exauriu, a esperança se extinguiu
Em um verso embriagado.
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Deus é uma metáfora.

Manuscrito de um olhar de peixe.
Sem mãos para tocar sinestesicamente o outro
Sem um coração parar amar platonicamente
Sem respostas nem perguntas apenas uma espessa interrogação em teus sentidos
Maciço narcisismo hereditário e hedonista
Que me consome durante anos
Entre uma febre e outra de vontades
A alma se imunda de desejo
Disléxico e santificado ainda se mantendo em terra
Um simples tormento físico, causa da embriagues precoce

Sem foto

Rejeição…

A todo momento ou em algum momento nesse piscar de existência passamos pela rejeição uma sensação incomparável, uma das dores mais profundas que a experiência da vida pode nos ocasionar.
Da rejeição se constrói no amago, se desconstrói em raiva, melancolia, indubitavelmente se separa a alma do coração.
De um amor que seria infinito, que apenas se desmancha e desagua em lagrimas profundas proporcionadas pelo abandono.
Abandono da vontade, da essência e dos prazeres, pois clamo para essa dor cessar, essa cicatriz se fechar e um dia se curar…
Sem dizer uma palavra, sem olhar para mim…. Seguimos com nossas rotinas medíocres que nada dizem a nosso respeito, apenas mais uma dose da substancia perniciosa que nos deixa aparentemente mais felizes, uma dopamina engarrafada ou em doses homeopáticas do veneno letárgico da alma pungente.
O abandono provoca dor viva, aguda, penetrante, cáustica; lancinante.
Em todo esse processo apenas vemos ruinas e a queda.
Que moral vemos em tudo isso a não ser um retrocesso humano
Por mais vazio que tudo possa ser nesse momento
Não estamos isentos ou neutros nesse mundano alucinado de experiências e expectativas que criamos ao decorrer dos anos e do fatigado e fragmentado caminhar que é a vida
E enquanto enrolamos a corda em nossos pescoços, tudo se declina, tudo se inverte, tudo se esvanece…
Como querem ver as coisas daqui para frente?
Porque o coração não palpita mais, apenas bombeia o sangue e nos mantem vivos, em estado de alerta, euforia e nostalgia, pois como disse, não somos neutros nem isentos apenas somos humanos e sentimos.
Recessos e retrocessos para quem se afunda na lama cada dia, cada momento mais um pouco
Esse casulo do passado que ti prende precisa ser quebrado
Temos de nascer/renascer varias e outras vezes, pois assim como o fogo não somos os mesmos a cada segundo que escorre da ampulheta do tempo.
Um corpo inerte, frágil, flácido
Que não esboça mais reações, sem vida, a não existência e presença
Físico, material inanimado, metafisico
De onde vem para o nada de infinitos voltara
A sete palmos descanse…. Não pense, não sinta
Infinitos Eu’s de mim olhando para eu mesmo
A eterna duvida do desconhecido e duvidoso
Onde não existe a certeza o humano se retrai
A dúvida nunca conforta ou consola
Minha dose de surrealismo está entregue
Assim como um sonho que se manifesta como tormento noturno
Nascido sem cadeias, aprisionado pelo feitiço do amor
Ao fim desse desabafo, encerro a minha oração…
Banda: Obasquiat
Musica: “Sadness”
Duração: 0’47”
Data: 23/junho/2017
 
Marco Antônio: violoncelo,mixagem,filmagem e edição.

As pétalas que escrevi seu nome afundaram-se no mar
O mesmo mar de abismos que é minha alma… De onde jamais resgatei nada, por isso desisto de ti, por não conseguir ti resgatar e deixar se afogar
Por não se dar ao perdão de sentir algo por nós mesmos
Por insano que me aches, desbocadamente louco vou seguir.
Pela vontade que tenho… O que podes tirar de mim?
Fora esse desespero angustiante… Essa frustração que é a existência
Que apenas me mata de forma lenta e dolorosa.
O ódio deveria ser algo execrável …Mas às vezes é necessário senti-lo, como uma cebola cortada que nos faz chorar lágrimas de lamento e incertezas
Pois não somos mais os mesmos…
E já se faz um bom tempo
Estamos nos perdendo de nossos sonhos, pois é o que eu sinto.
Desencadeio em palavras o que ainda resta deles, esses sonhos que são como crianças que inspiram inocência.
Porque no final nos tornamos as coisas que odiamos!
Para os males ela esta ai, eu posso tocar a sua voz de notas cintilantes.
Não diga como é seu semblante… Todos já sabem disso
São como os maravilhosos ácaros que se movem e nos devoram, nesse despertar rotineiro.
E nessas ultimas frases, me despeço de você, Adeus.
blg

“Já não nos reconhecemos, não somos mais os mesmo e também não sabemos quem somos… O infinito rodapé.”